Transforma-se a chupista na cousa chupada

Mucho hay que chupar - Capricho Nº45 de Goya.
Que Margarida Rebelo Pinto é uma escritora da craveira de um Roberto Leal, até aí chegou o Neves. Que se plagia a si própria e que isso é patético, OK, já sabemos, obrigado João Pedro George pela informação, siga a Marinha. Que a Oficina do Livro faz figura triste no meio disto tudo ao contratar uma vara de advogados para acautelar a coisa, também é evidente. Agora, que o que George e a Objecto Cardíaco fazem é respeitável, isso já não é assim tão claro. Não tem, de facto, nada de respeitável, e por mais que a edição do livro seja legitimada por gente de respeito, lamento, mas existe outro lado da questão.
Quando Luiz Pacheco publicou O Caso do Sonâmbulo Chupista para revelar o plágio de Fernando Namora a Vergílio Ferreira (Domingo à Tarde vs. Aparição), fê-lo em plaquete. Repita-se: fê-lo em plaquete. Não transformou o texto num desavergonhado objecto comercial, não foi vendê-lo ao Diário de Lisboa. Circunscreveu O Caso do Sonâmbulo Chupista ao universo literário a que ele pertencia.
Num primeiro momento, George fez o mesmo – isto se quisermos considerar os blogs como uma espécie de plaquetes de hoje em dia. O que o 24 Horas resolveu fazer depois, imagino que tenha sido exclusiva ideia dessa publicação. E, se elegância houvesse, o caso do auto-chupismo de Margarida Rebelo Pinto teria ficado por aqui.
Mas não. George (ele que um dia destes vai aparecer por aí precisamente como biógrafo de Pacheco) e Objecto Cardíaco congeminaram a execução da coisa em objecto comercial. Da aliança de um crítico e uma editora esperávamos, de facto, o investimento de suas capacidades intelectuais e empresariais na publicação de livros. Pelo contrário: deste cacharolete saiu um ringtone para telemóvel.
Devia a Oficina do Livro (ela que tem Pacheco no seu catálogo) pedir uma providência cautelar? Certamente que não. A Oficina do Livro não percebe que está a envergonhar – e de forma assustadora – a sua classe profissional.
Mas isto de George e de uma das suas editoras venderem a alma ao diabo, isto constitui uma contradição infantil em relação à inicial intenção do que até há pouco tempo era um divertido texto crítico e blogosférico.
Ah! Si j'avais un franc cinquante
J'aurais bientôt deux francs cinquante!
Ah! Si j'avais deux francs cinquante
J'aurais bientôt trois francs cinquante!
Ah! Si j'avais trois francs cinquante
J'aurais bientôt quatre francs cinquante!
Ah! Si j'avais quatre francs cinquante
Ça m'ferait bientôt cent sous!


5 Comments:
Quando Luiz Pacheco publicou O Caso do Sonâmbulo Chupista para revelar o plágio de Fernando Namora a Vergílio Ferreira (Domingo à Tarde vs. Aparição), fê-lo em plaquete... em Agosto de 1980, ou seja, quase 20 anos depois da publicação de Aparição e da fabricação de Domingo à Tarde.
Precisamente - porque foi apenas nos 80 que Pacheco tomou consciência da coisa. E daí?
E daí que esse texto de Luiz Pacheco não possa ser comparado ao de João Pedro George. Até porque o que Luiz Pacheco pretendeu foi menos denunciar o plágio do que as distracções de Óscar Lopes como júri literário. O que aí estava em causa, parece-me, era a atribuição de prémios literários, não tanto a qualidade das obras em si. Só para terminar, gostava de dizer que não aprecio o tipo de crítica que João Pedro George pratica. Não tenho nada contra, nem interessa minimamente que tenha. Simplesmente não aprecio. Também não tem nada que ver com a mania de dizer mal. Dizer mal é bem e bom, se houver razões que sustentem tal atitude. O que me parece é que esta comparação aqui feita não faz muito sentido, embora concorde consigo (no essencial) quando afirma: «George (ele que um dia destes vai aparecer por aí precisamente como biógrafo de Pacheco) e Objecto Cardíaco congeminaram a execução da coisa em objecto comercial. Da aliança de um crítico e uma editora esperávamos, de facto, o investimento de suas capacidades intelectuais e empresariais na publicação de livros. Pelo contrário: deste cacharolete saiu um ringtone para telemóvel.»
Certamente que os textos não são comparáveis - era o que faltava agora colocar JPG à altura do seu biografado.
Eh pá! gosto mesmo deste blog. Só agora o descubro e não perdi o meu tempo. Perfeitamente de acordo com o que dizem sobre esta estória de couves e alforrecas. So tenho pena que essas mesmas couves e alforrecas fiquem associadas a tudo isto, não mereciam... é que acho as alforrecas lindíssimas e as couves adoro-as...
Apresento-me:
sou um dos "nicks" "sa mère" citados pelo JPP, já estão a situar...
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